Mutirões nos estados comprovam efeitos da Lei Maria da Penha
Visitas de parlamentares a quatro estados mostram que atendimento a mulheres vítimas de violência melhorou e número de denúncias cresceu. Deputadas querem agora medidas para viabilizar a integração de ações já em andamento.
Pouco mais de cinco anos após entrar em vigor, a Lei Maria da Penha (11.340/06) já é responsável por avanços no combate à violência contra a mulher. Em visitas a estados brasileiros, parlamentares participantes do projeto Mutirão da Penha, que investiga a aplicação da lei, confirmam que o atendimento às vítimas melhorou e a consciência das mulheres sobre seus direitos e a coragem de denunciar têm se consolidado.
Dados da Secretaria de Políticas para as Mulheres mostram que o número de atendimentos cresceu desde a entrada em vigor da lei. Em 2007, quando o sistema foi adaptado para receber informações sobre a Lei Maria da Penha, a Central de Atendimento à Mulher (Ligue 180) registrou 438.587 atendimentos. Entre janeiro e outubro do ano passado (últimos dados disponíveis), o sistema já havia recebido 530.542 ligações.
Balanço parcial do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) do
ano passado mostra que, em quatro anos, 9.715 pessoas foram presas em flagrante
com base na Lei Maria da Penha. O balanço considerou processos distribuídos em
varas e juizados especializados no tema desde a entrada em vigor da lei (agosto
de 2006) até julho de 2010.
No período, foram decretadas 1.577 prisões preventivas e gerados 331.796 processos envolvendo a lei. Cerca de 1/3 (111 mil) deles resultou em decisão judicial. Foram tomadas pela Justiça mais de 70 mil medidas de proteção à mulher.
O impacto da lei no dia a dia das mulheres também é considerado positivo. Sondagem de opinião realizada pela Câmara no ano passado constatou que a Lei Maria da Penha é aprovada por 95,5% dos entrevistados.
Falta de estrutura
“A lei foi um grande avanço, mas ainda falta estrutura para atender a demanda
de assistência”, avalia a deputada Flávia Morais (PDT-GO), procuradora-adjunta
da Mulher, que participou do Mutirão da Penha em São Paulo e em Goiás. Em São
Paulo, segundo ela, não existe uma secretaria estadual de políticas para as
mulheres, órgão que seria responsável pela articulação de todas as ações no
setor. Já em Goiás, a secretaria existe, mas faltam delegacias especializadas e
juizados.
Flávia argumenta que existem muitos projetos em andamento, mas implantados de forma isolada, sem integração. O resultado é que, às vezes, o Ministério Público tem um núcleo de combate à violência doméstica, mas o estado não constrói casas-abrigo. “A lei também fala em juizados contra a violência, mas não só eles são importantes. O agressor, por exemplo, precisa de tratamento para não fazer mais vítimas”, observa a deputada goiana.
Além de São Paulo e de Goiás, o Mutirão da Penha visitou em 2011, o Pará e o Distrito Federal. Em cada unidade da Federação, as deputadas reúnem-se com representantes do governo local, dos tribunais de Justiça, do Ministério Público e das assembleias legislativas.
Articulação
A procuradora da Mulher, deputada Elcione Barbalho (PMDB-BA), responsável pela
organização do Mutirão da Penha, ressalta a importância de ações articuladas no
combate a violência contra a mulher. Ela explica que o trabalho da Procuradoria
restrito à Câmara seria insuficiente para consolidar as ações necessárias para
a aplicação efetiva da lei. “Desta forma, surgiu a ideia de percorrer os
estados”, afirma, ressaltando os resultados positivos desta fase inicial das
visitas.
“Nos estados, as autoridades locais querem alguém que movimente e ajude na articulação. É uma forma de chamar a atenção da mídia e dos gestores para a causa”, complementa Flávia Morais. Ela acredita que novos avanços, no entanto, dependem de mais orçamento e da eleição de mais mulheres para o Parlamento.
Fonte: Agência Câmara
In : Direitos Humanos